Deficiência
intelectual
Nadja
Fernandes de Melo
A
deficiência intelectual se caracteriza pelas habilidades intelectuais abaixo da
média, limitações essas que podem afetar seu funcionamento nas atividades
diárias, como também atrasos significativos no desenvolvimento da linguagem,
interação social, coordenação motora.
Há
vários critérios para classificar a DI, no entanto muitos teóricos não utilizam
mais teste de QI, apropriando deles mais para projetos de pesquisa. Até porque,
de acordo com os testes realizados, a pessoa que possuía um QI muito abaixo do
esperado era e ainda é considerada por muitos psicólogos /ou médicos, incapaz
de aprender, estendendo essa situação como permanente na vida da pessoa.
Segundo
Teixeira, as crianças com DI possuem mais chances de apresentarem também outros
diagnósticos comportamentais como: TDAH, depressão, autismo e transtornos bipolares
ou ansiedade.
O
desenvolvimento da inteligência das crianças com DI segue igualmente ao das
outras crianças, a medida que é na interação com o meio ambiente que essa
construção se solidifica, só que para as pessoas com DI esse processo se torna
mais lento.
É
importante um olhar mais apurado e fazer avaliações no contexto familiar,
escolar e individual na SEM para saber quais são as limitações e
potencialidades do aluno e assim agir de maneira eficaz.
“...
A autonomia ou a capacidade de gestão da própria vida que se requer de uma
criança de 7 anos é diferentes em um adulto. As pessoas com deficiência não
serão sempre crianças, mas é, preciso, acima de tudo, procurar estabelecer
nelas comportamentos e hábitos de autonomia próprios das crianças, embora não
tão infantis quanto elementares e fundamentais, base de qualquer outra
autonomia e independência.”( Fierro in Coll p.205.)
Essa
aprendizagem adquire-se em casas de forma casual, espontânea, sem necessidade
de ensino metódico por parte dos pais, mas que poderá ser complementada com a
cooperação do professor das series iniciais.
Gomes
aborda no livro “O Atendimento Educacional Especializado para alunos com DI,
que o professor da SEM deve propor atividades que estimulem a aprendizagem de
conceitos, possibilitar na sua sala situações vivenciais, o que possibilitem a
organização do pensamento”. O amadurecimento das estruturas cognitivas, que
viabilizara e ensino da leitura e da escrita.
Para
isso, é importante que o professor conheça o aluno e tenha em consideração as
suas singularidades.
“O
trabalho do professor do AEE como bem sabemos, é ajudar o aluno com deficiência
intelectual a atuar no ambiente escolar e fora dele, considerando as suas
especificidades cognitivas. Especificidades que dizem respeito principalmente à
relação que ele estabelece com conhecimento que promove sua autonomia
intelectual” ( Gomes p. 8. 2010)
Ao
contrario do que muitos psicólogos dizem, o aluno com DI tem capacidade para
aprender se tiver desde sua infância os estímulos necessários para que isso
ocorra. Estímulos esses que devem iniciar com a família e continuar na escola.
É claro, devemos considerar as especificidades de cada um, pois, mesmo que duas
pessoas possuam a mesma deficiência, cada uma tem uma singularidade comum a
ela. Uma vivencia diferente, que contribuem para que seu processo de
aprendizagem seja diferente, como acontece com os alunos sem deficiência, numa
sala de aula comum.
Estabelecer
um modelo único de aprendizagem e/ou recursos para pessoas com a mesma
deficiência, seria desconsiderar as características próprias que cada um tem,
até porque pode não funcionar como esperado, pois, suas reações a esses
estímulos podem ser muito distintas. Cada aluno possui uma estrutura cognitiva
própria, que vai de acordo com a área do sistema neural afetada.
Propor
um mesmo padrão de ensino a todos os alunos sem considerar suas
particularidades, seria generalizar o modo como um chega ao objeto de seu
conhecimento, passando por cima ou desconhecendo suas limitações e
potencialidades.
Referencias:
FIGUEIREDO, Rita Vieira
de Figueiredo & POULIN, Jean-Robert & GOMES, Adriana L. Limaverde. Atendimento Educacional Especializado do
aluno com deficiência intelectual.
POULIN,
Jean-Robert, FIGUEIREDO, Rita Vieira, GOMES, Adriana L. Limaverde. O aluno com deficiência intelectual: estratégias
de avaliação na sala de recurso multifuncional. Fortaleza, 2013
TEIXEIRA,
Gustavo. Manual de transtornos escolares:
entender os problemas de crianças e adolescentes na escola. 3ª ed.. Rio de
Janeiro, BestSeller, 2013.
COLL, César,
MARCHESI, Álvaro e PALACIOS, Jesus. Trad. Fátima Murad. Desenvolvimento psicológico e educação: transtornos de
desenvolvimento e necessidades educativas especiais. V.3 2ª ed. Porto Alegre,
Artmed, 2004.
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