segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Deficiência intelectual
Nadja Fernandes de Melo

A deficiência intelectual se caracteriza pelas habilidades intelectuais abaixo da média, limitações essas que podem afetar seu funcionamento nas atividades diárias, como também atrasos significativos no desenvolvimento da linguagem, interação social, coordenação motora.
Há vários critérios para classificar a DI, no entanto muitos teóricos não utilizam mais teste de QI, apropriando deles mais para projetos de pesquisa. Até porque, de acordo com os testes realizados, a pessoa que possuía um QI muito abaixo do esperado era e ainda é considerada por muitos psicólogos /ou médicos, incapaz de aprender, estendendo essa situação como permanente na vida da pessoa.
Segundo Teixeira, as crianças com DI possuem mais chances de apresentarem também outros diagnósticos comportamentais como: TDAH, depressão, autismo e transtornos bipolares ou ansiedade.
O desenvolvimento da inteligência das crianças com DI segue igualmente ao das outras crianças, a medida que é na interação com o meio ambiente que essa construção se solidifica, só que para as pessoas com DI esse processo se torna mais lento.
É importante um olhar mais apurado e fazer avaliações no contexto familiar, escolar e individual na SEM para saber quais são as limitações e potencialidades do aluno e assim agir de maneira eficaz.
“... A autonomia ou a capacidade de gestão da própria vida que se requer de uma criança de 7 anos é diferentes em um adulto. As pessoas com deficiência não serão sempre crianças, mas é, preciso, acima de tudo, procurar estabelecer nelas comportamentos e hábitos de autonomia próprios das crianças, embora não tão infantis quanto elementares e fundamentais, base de qualquer outra autonomia e independência.”( Fierro in Coll p.205.)
Essa aprendizagem adquire-se em casas de forma casual, espontânea, sem necessidade de ensino metódico por parte dos pais, mas que poderá ser complementada com a cooperação do professor das series iniciais.
Gomes aborda no livro “O Atendimento Educacional Especializado para alunos com DI, que o professor da SEM deve propor atividades que estimulem a aprendizagem de conceitos, possibilitar na sua sala situações vivenciais, o que possibilitem a organização do pensamento”. O amadurecimento das estruturas cognitivas, que viabilizara e ensino da leitura e da escrita.
Para isso, é importante que o professor conheça o aluno e tenha em consideração as suas singularidades.
“O trabalho do professor do AEE como bem sabemos, é ajudar o aluno com deficiência intelectual a atuar no ambiente escolar e fora dele, considerando as suas especificidades cognitivas. Especificidades que dizem respeito principalmente à relação que ele estabelece com conhecimento que promove sua autonomia intelectual” ( Gomes p. 8. 2010)
Ao contrario do que muitos psicólogos dizem, o aluno com DI tem capacidade para aprender se tiver desde sua infância os estímulos necessários para que isso ocorra. Estímulos esses que devem iniciar com a família e continuar na escola. É claro, devemos considerar as especificidades de cada um, pois, mesmo que duas pessoas possuam a mesma deficiência, cada uma tem uma singularidade comum a ela. Uma vivencia diferente, que contribuem para que seu processo de aprendizagem seja diferente, como acontece com os alunos sem deficiência, numa sala de aula comum.
Estabelecer um modelo único de aprendizagem e/ou recursos para pessoas com a mesma deficiência, seria desconsiderar as características próprias que cada um tem, até porque pode não funcionar como esperado, pois, suas reações a esses estímulos podem ser muito distintas. Cada aluno possui uma estrutura cognitiva própria, que vai de acordo com a área do sistema neural afetada.
Propor um mesmo padrão de ensino a todos os alunos sem considerar suas particularidades, seria generalizar o modo como um chega ao objeto de seu conhecimento, passando por cima ou desconhecendo suas limitações e potencialidades.
Referencias:
FIGUEIREDO, Rita Vieira de Figueiredo & POULIN, Jean-Robert & GOMES, Adriana L. Limaverde. Atendimento Educacional Especializado do aluno com deficiência intelectual.

POULIN, Jean-Robert, FIGUEIREDO, Rita Vieira, GOMES, Adriana L. Limaverde. O aluno com deficiência intelectual: estratégias de avaliação na sala de recurso multifuncional. Fortaleza, 2013
TEIXEIRA, Gustavo. Manual de transtornos escolares: entender os problemas de crianças e adolescentes na escola. 3ª ed.. Rio de Janeiro, BestSeller, 2013.

COLL, César, MARCHESI, Álvaro e PALACIOS, Jesus. Trad. Fátima Murad. Desenvolvimento psicológico e educação: transtornos de desenvolvimento e necessidades educativas especiais. V.3 2ª ed. Porto Alegre, Artmed, 2004.

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