segunda-feira, 6 de abril de 2015

Funcionamento cognitivo da pessoa com DI

Nadja Fernandes de Melo



Ao longo da história o conceito de deficiência intelectual tem sido difuso e indeterminado, a qual podemos dizer que houve predominância de dois enfoques. Um funcional relacionado ao funcionamento adaptativo da pessoa nas atividades da vida diária e outro na ordem da construção teórica.

Por volta dos anos de 1970 muitos estudiosos basearam-se no Behaviorismo cuja deficiência intelectual era tratada como conduta atrasada e que a modificação das situações, experiências e estímulos poderia contribuir para melhorar o nível de rendimentos e qualidade de execução em diferentes áreas da vida dos alunos com DI.

Ainda de acordo com a teoria Behaviorista, a DI refere-se a limitações sérias no desenvolvimento do individuo em todos ou quase todas as áreas, e, que se manifesta antes dos 18 anos de idade.

Apenas com o tempo e as respostas aos estímulos educativos que o aluno proporciona, é que saberemos discernir se ele possui deficiência intelectual permanente ou se o mesmo possui apenas algum atraso ou dificuldade de aprendizagem transitória.

Um conceito mais atual da DI, diz respeito a teoria cognitiva, a qual a inteligência é definida como a capacidade de aprender em condições de instrução e que o atraso se caracteriza pela resistência à instrução, necessitando, portanto, de uma instrução mais completa, ou seja, adaptação curricular e ofertas de matérias acessíveis, para que o individuo tenha mais possibilidade de compreender as instruções que lhe eram passadas para que chegasse a aprender.

Fierro ainda acrescenta que as pessoas com DI gostam da repetição e da rotina, pois são capazes de estar e persistir por mais tempo em uma determinada tarefa. Segundo o mesmo autor, "A inteligência é a capacidade de adaptação a situações novas. A pessoa com baixa capacidade intelectual encontra maiores dificuldades nessa adaptação e consequentemente, experimenta insegurança e ansiedade diante da novidade na situação ou na tarefa." ( Coll p. 199, 2004.)

Contudo, é interessante que a novidade seja introduzida na vida dessas pessoas, em doses razoáveis, que sejam aceitas sem perturbar o seu equilíbrio emocional, pois assim há maior possibilidade de desenvolvimento pessoal. Assim, como, nas suas relações com outras pessoas, pois a pessoa com DI geralmente tem grande dependência afetiva e comportamental com figuras adultas protetoras. Esse vinculo geralmente é construído na infância. Essa forma de apego manifesta-se de modos variados, que não correspondem a sua idade cronológica. Para eles, o que lhes acontecem, suas causas e suas expectativas dependem de outras pessoas.

De acordo com Fegueiredo e Poulin (2008), o desenvolvimento intelectual das crianças com DI sob um ponto de vista estrutural é bastante parecido com aquele das crianças sem deficiência, no entanto, tornam-se diferentes quando levamos em conta o aspecto funcional dos esquemas cognitivos, ou seja, na resolução de situações problemas.

A criança com DI possui as mesmas estruturas de conhecimentos, sua dificuldade está em utilizar e/ou recorrer aos conhecimentos construídos em situações precisas.



Referências

Coll, César. Desenvolvimento psicológico e educação.Org. César Coll, Álvaro Marchesi e Jesus Palácios; trad. Fátima Murad. 2ª ed. Porto Alegre, Artmed, 2004.

Figueiredo, Rita Vieira de. e Poulin, Jean-Robert. A criança fala: a escuta de crianças em pesquisas. Cruz, Silvia Helena V. (org.). São Paulo: Cortez, 2008.

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